‘Foi uma guerreira na vida’: irmão de Cristiane Sampaio lembra força da jornalista que morreu em Brasília
10/06/2026
(Foto: Reprodução) Cristiane Sampaio com o irmão, Davi, e os pais em Fortaleza.
Arquivo pessoal
“Ela foi uma guerreira na vida em relação a tudo que ela queria buscar”. Davi Sampaio lembra com orgulho a trajetória da irmã, a jornalista Cristiane Sampaio, que morreu em Brasília na última segunda-feira (8). Cristiane foi homenageada em um velório em Fortaleza nesta quarta-feira (10).
“Ela deixou o legado dela da forma que ela poderia deixar. No exercício da profissão, toda pauta que ela buscava defender, ela defendia com unhas e dentes da forma que era escrita ou se fosse falada, pelas minorias, pelas classes trabalhadoras”, destacou o irmão.
Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp
Davi foi ao Distrito Federal para buscar o corpo da irmã. Na capital nacional, ele disse que fez questão de organizar um velório para os amigos de Brasília.
“Muitas pessoas compareceram, deputados compareceram para falar bem dela, se despedir dela”, comentou o irmão. Cristiane trabalhava como produtora na TV Câmara.
“Eu fiquei muito contente, inclusive, de ter conhecido alguns amigos dela lá que eu não conhecia, porque eu vi que, de fato, ela constituiu uma nova família, através do círculo de amizade. Ela era muito bem amada por todos que estavam ao redor dela. E isso, de certa forma, nos conforta”, agradeceu o irmão da jornalista.
Causa da morte
Jornalista Cristiane Sampaio morre em Brasília
Davi informou que a causa mais provável da morte foi um mal súbito. A família recebeu um laudo preliminar para a liberação do corpo. O laudo oficial deve sair após 40 dias do falecimento.
Conforme o irmão, Cristiane não fazia nenhum tratamento de problema de saúde recente. No entanto, ela tomava uma medicação para evitar convulsões devido a um problema que ela teve ainda na infância.
Davi, inclusive, acredita que a irmã teve uma convulsão antes de morrer. Sozinha no apartamento onde morava, ela não conseguiu ser socorrida.
“Foi uma morte repentina. Nada esperado. Ela não estava em nenhum tratamento específico, nenhuma doença específica, nada do tipo”, disse o irmão.
Família se apega em legado
Jornalista cearense Cristiane Sampaio morre em Brasília
Arquivo pessoal
Davi disse que, agora, pretende lembrar da irmã pelo legado que ela construiu; não só como jornalista, mas como pessoa.
“Eu acho que é esse legado que eu quero carregar para a minha memória, e meu pai também, de saber que ela viveu intensamente tudo aquilo que ela queria viver. Em Brasília, ela estava vivendo o sonho dela”, declarou.
“Uma mulher guerreira. Isso que ela foi. Uma mulher que sai do estado em que nasceu, e vai viver um sonho sozinha, como ela foi em Brasília, e conseguiu se destacar da forma dela na produção, conseguiu empreender todas as forças necessárias em tudo que ela fazia. A última memória que eu vou guardar dela é que ela foi guerreira”, complementou o irmão.
Davi também disse que a família está lidando com a morte de Cristiane baseada na fé e na religiosidade. “A gente se apega na fé para poder dar sustentação nesse momento de dificuldade. E tenho a plena certeza que ela está em um lugar melhor do que todos nós”, destacou.
Jornalista Cristiane Sampaio é encontrada morta em apartamento de Brasília.
Redes sociais/Reprodução
Homenagem de amigos e instituições
Os amigos de Cristiane emitiram uma nota, com autorização da família, agradecendo as homenagens feitas à jornalista. “Neste momento de profunda dor, a família e os amigos agradecem as inúmeras manifestações de solidariedade recebidas de amigos, colegas de profissão, entidades representativas, movimentos sociais e instituições públicas”, disse o comunicado.
“Cristiane Sampaio construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a informação de interesse público, pelos direitos humanos e pelo jornalismo de qualidade. Sua atuação profissional e humana deixa um legado de dedicação, sensibilidade e ética”, reforçou.
A graduação em jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), onde Cristiane estudou, também lamentou a morte: “A familiares, amigas/os e companheiras/os de profissão, nós, do curso de Jornalismo da UFC, expressamos nossas condolências, reconhecendo e valorizando a trajetória de Cristiane Sampaio, marcada por competência profissional e comprometimento com os direitos humanos”.
O Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce) também prestou homenagem: “A partida precoce de Cristiane representa uma perda irreparável para o jornalismo brasileiro e, em especial, para a imprensa cearense, que acompanhou os primeiros passos de uma profissional talentosa, ética e profundamente comprometida com o interesse público”.
“Neste momento de dor e despedida, o Sindjorce expressa sua solidariedade aos familiares, amigos, colegas de profissão e a todos que compartilharam de sua trajetória. Que sua dedicação ao jornalismo, sua sensibilidade humana e seu compromisso com a verdade permaneçam como inspiração para as atuais e futuras gerações de jornalistas”, declarou o Sindjorce.
Cristiane também foi homenageada pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI). “Cris era dessas jornalistas que não soltavam a pauta fácil: conferia fontes, cruzava informações, apurava até o fim e trabalhava incansavelmente para entregar matérias completas, sólidas e comprometidas com o interesse público”, declarou a associação.
“Generosa, parceira e sempre disposta a somar, deixou sua marca em coberturas, redes, encontros e lutas por comunicação popular. Quem conviveu com ela também guarda a lembrança do sorriso aberto e da energia boa com que chegava nos lugares”, complementou a ABI.
Assista aos vídeos mais vistos do Ceará: